sexta-feira, 27 de abril de 2012

Nini de Zé de Sousa recitou na cantoria duas estrofes do poema: Ao meu Pai


Lembro-me de  você.
Autor: José Tavares de Sousa

Lembro-me de você, sinceramente
Com a  lata de leite que você trazia
Empurrando com ombro minha tipóia
E acordando-me na madrugada fria.
Mas, você meu  pai,  foi-se  embora 
E esqueceu-se de dizer  pra onde ia.

Eu fiquei  sem saber o seu destino
Remoendo tudo  o que se passou.
Hoje ando seguindo a seu caminho
Na estrada em que você andou
Desviando de pedras e de espinhos
Que também não sei pra onde vou.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia internacional da mulher


Oito de maio
 José tavares de Sousa

Mulher é como uma flor
Que nasce dos vegetais
Desabrochando sozinha
Segundo as leis naturais
E quando se torna velha
Que tem rugas desiguais
Ai é que fica bela
Entre todos os animais.

Mulher é igual ao homem
Específicos, não, gerais.
É na luta contra a todos
Pelas causas sociais
Contra a fome e a injustiça
Preconceitos raciais
Fortes como as baraúnas
Rígidas como os metais
Porém, bem enfeitadinhas
Como velhos carnavais.
8 de março de 2012

domingo, 27 de novembro de 2011

Zé Tavares participa da cantoria dos Araçás


 Meu sertão

Autor: José Tavares de sousa


Não quero ver meu sertão
Com criancinha buchuda
Descalça de pés no chão
De barriguinha graúda
Que nem come nem se veste
Que nem brinca e nem estuda.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vicente das Aroeiras participa da cantoria dos Araçás


METAMORFOSE HUMANA
Autor: Vicente César
Andrade
I
Chorei quando nasci
Foi um choro diferente
Daqueles que chora agente
Quando um dia partir
Minhas lágrimas ao cair
Denotavam insegurança
Após aquela mudança
Do ventre que me guardava
O meu choro anunciava
Chegava outra criança.

II
Com a criança, a inocência
Que aos poucos foi morrendo
A criança foi crescendo
Foi perdendo sua essência
Atingindo a adolescência
Cheia de transformações
Despertando sensações
Que ainda não conhecia
O adolescente sentia
Suas primeiras paixões.

III
Paixão, alegria e tristeza,
O adolescente enfrentaria
Tudo isso o deixaria
Cercado de incertezas
Momento que a natureza
Agiria novamente
Dormia o adolescente
Pra nunca mais acordar
Despertava em seu lugar
Um jovem experiente.

IV
O jovem já entendia
De células e cromossomos
Na verdade o que somos
Ele agora já sabia
Consciente esperaria
Uma nova mutação
Deixaria a geração
De sonhos e vaidade
Chegava à terceira idade
Repleto de emoção.



V
Emoção que o fortalece
No resto da caminhada
Suas vísceras já cansadas
Cambaleando padece
Assim mesmo não esquece
De pedir em oração
Que a última transformação
Demore a acontecer
Seu desejo era viver
Além desta ocasião.

VI
Ocasião que encerra
Segundo a Bíblia Sagrada
Uma breve temporada
Do homem aqui na terra
Momento em que descerra
Uma porta pro além
De onde jamais ninguém
Acertou com a fechadura
Pois nenhuma criatura
Voltou para ver alguém.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Antônio Amador participa da cantoria dos Araçás


Lembranças de um carreiro
Autoria:Antonio Amador de Sousa


Era tarde de Domingo;
Sol vermelho de verão;
E a sombra fria do alpendre
Do meu velho casarão,
No terreiro se estendia
E, como um ponteiro, ia
Marcando as horas no chão.

De repente, uma porção
De folhas de juazeiro,
Farfalhando, vadiavam
Nos recantos do terreiro.
Migravam da seca rama,
E ao pé da cerca de cama
Iam formando um balseiro.

Assobios de carreiro,
Badaladas de chocalho,
Vinham marcando o compasso
Da junta, no cabeçalho.
E o carro, pesado, vinha
Entoando a musiquinha
Da canção do seu trabalho.

Na entrada de um atalho
Que desviava a estrada,
O carro gemeu mais grave,
Indicando uma parada.
Pesando igualmente a chumbo,
Numa moita de mofumbo,
Ficou uma roda encalhada.

Pedro gritou a boiada:
- Vai Brasil e Brasileiro!
Que se encurvavam na canga
Sob o peso do madeiro.
E a vara de ferrão
Dava mais um cutucão
Sob as ordens do carreiro.


Já bem próximo ao juazeiro
Da frente da moradia,
A boiada, com esforços,
A carrada conduzia
Já num sôfrego compasso,
Pra aliviar seu cansaço
Embaixo da sombra fria.

- Ôôôôa! Disse Pedro, o guia,
Dando uma ordem de esbarro.
Chamou pelo seu sobrinho;
Acendeu mais um cigarro.
- Temos serviço pra dois:
Tirar a canga dos bois,
Depois escorar o carro.

Antônio, sem dar esparro,
Atendeu ao seu chamado.
Tirou a canga dos bois,
Deixou o carro escorado.
Sem fazer uma pergunta,
Foi dar de beber à junta
No cacimbão do roçado.

E eu ficava admirado,
Do alpendre contemplando.
Sentindo o cheiro do carro
Que o vento vinha soprando.
Para mim valia à pena
Assistir àquela cena...
Que tempo finda apagando.

Os dois chocalhos roçando
Na borda do tanque raso,
Formavam certa cadência
Que se escutava ao acaso,
Enquanto o sol se escondia,
Levando o clarão do dia,
E anunciando o ocaso.


E assim se findava o prazo
Desse dia de labor:
O carreiro foi dormir;
O sol perdeu seu calor;
A brisa deu seu açoite;
E o manto escuro da noite
Fez o céu mudar de cor.

Tudo calmo no setor.
A noite já estava vindo.
O céu vestiu-se de estrelas
Para se tornar mais lindo.
E a contemplá-lo eu sonhava,
E enquanto sonhando estava
Também acabei dormindo.

Hoje, eu recordo sentindo
Uma saudade danada:
Saudade da minha infância,
Dos bois, o carro... a
estrada...
Porém, triste por saber
Que jamais poderei ver
Pedro guiando a boiada.

É que não resta mais nada
Do que ao passado serviu.
Cenas como as que retrato
Lá ninguém mais assistiu.
Que os bois, o dono vendeu;
O carro, o cupim comeu;
E o dono, a terra cobriu.

Assim meu peito sentiu,
Deixando a recordação
Do cenário mais legítimo
Que representa o sertão.
E como dito já foi,
Ficou um carro de boi
Cantando em meu coração.








domingo, 9 de outubro de 2011

Joaõ Paraibano participa da cantoria dos Araçás

Joaõ Paraibano disse:

"Me lembro da minha mãe
Dentro do quarto inquieta

Passando o dedo com papa

Nessa boca analfabeta
Sem saber que um dedo rude

Tava criando um poeta"
Outro verso de João Paraibano:

"Toda a noite quando deito
Um pesadelo me abraça
Meu cabelo que era preto
Está da cor de fumaça
Ficou branco após os trinta
Eu não quis gastar com tinta
O tempo pintou de graça"