domingo, 23 de outubro de 2016

‘Deus não joga dados’




 José Tavares de Sousa

O alemão Einstein naturalizado americano, uma das grandes inteligência da humanidade, recebeu o prêmio Nobel de Física em 1921. Pelo fato de Einstein fazer ciências “duras” a exemplo da Física e Química chegando a trata da teoria quântica, utilizando ferramenta estatística e em  1915 propôs um modelo matemático bastante revolucionário, a teoria da relatividade geral, por todos  nesse aspecto utilizou a expressão “Deus não joga dados”. Mesmo assim, às vezes deixava dúvidas quanto a sua  credibilidade a Deus. Vejam uma das suas frases: “A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia” Uma dupla de cantadores, o primeiro intelectual e o outro analfabeto, começou a cantoria da seguinte forma:

O primeiro poeta, iniciou:

A natureza é perfeita
O mundo é que é furado
Quem pensa que o mar é raso
Pode  morrer afogado
Que Deus não joga dados
Nesse mundão de pecado

O segundo poeta, continuou:


Eu sei que bozó guiado
É preso como rabicho
Dado é jogo de azar 
 Deus não joga por capricho
Se Deus não joga dados
Por que não joga no bicho?

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Logo você coração


José Tavares de Sousa

Logo você coração
Que foi feito para amar.
Não deveria enfartar
Maltratando um cidadão.
                  19 de janeiro de 2010 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016



Deixe-me voltar para minha terra
  José Tavares de Sousa



Quando um dia o santo me chamar
Para eu ir morar com o salvador
Eu irei resmungando, mas irei.
Lá eu   direi bem  baixinho ao Senhor
Deixe-me voltar para minha  terra
Pois é lá  que mora o meu amor.


sábado, 11 de junho de 2016

Religião

Cantoria de viola na década de 70 era  sucesso nas fazendas sítios e periferia urbana. Os apologistas participavam pedindo motes, canções e historia sagrada. Numa cantoria nos Araçás os cantadores iniciaram as sextilhas falando de religião, vejam as estrofes inicias da dupla participante:

Primeiro cantador:
O santo que me protege
É de ferro, bronze e aço
Reza de noite e de dia 
E nunca sentiu cansaço
se ajoelha e se levanta
Não sente dor de espinhaço.

Segundo cantador:

Pois o meu é um fracasso
Velho fraco e dormioco
Reza uma vez por semana
Que pra santo é muito pouco
Vive a vida na moleza
E eu passando sufoco.


José Tavares de sousa

domingo, 17 de agosto de 2014

“Quem não é e quer ser não pensa, Pra saber que não é o que pensou”.

José Tavares de Sousa


Quem não  lembra de Hitler na Alemanha
Que queria do mundo ser o dono
Mussolini também queria um trono
Mas tiveram  uma surpresa um tanto estranha
Pois  não houve sucesso na campanha
E a tática da guerra fracassou
Nossa FEB que por la´ passou
Ainda hoje no mundo é quem tem crença
Quem não é e quer ser não pensa
Pra saber que não é o que pensou


Planejei não viver  tempo finito
Consagrar mais de vinte casamentos
Construir  120 apartamentos 
Não fiz nem uma mesa de granito
Meu casório, todo tempo com atrito.
Outro dia a danada me deixou
O garoto que eu criava, ela levou.
Deixando a cama forrada na dispensa
Quem não é e quer ser não pensa
Pra saber que não é o que pensou.


Observação:  O mote é de Sinval Ribeiro genuinamente araçazeiro, um grande poeta, autor do hino do município de São João do Rio do Peixe sua terra natal. Foi poeta repentista nos anos 60, entre os seus poemas o mais famoso tem o título de  “ Tudo passa”, bastante contado no sertão Paraibano .


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Maíra Sousa Fischer



2  horas da manhã  do dia 7 de  novembro  de  2013

   


Confesso que fiquei emocionado
Quando vi Maíra trazida pelo pai
Auxiliadora, Décio a lagrima cai
E eu avô coruja, tenso ao lado.

Tales, Denise, Isabel, alguém acena
Manu, Juliana vibram severamente
E a natureza rindo, sabiamente  
Mostrando  a áurea da filha de Milena.
   


Ser pai é muito bom. No entanto, ser avô parece-me mais do que isso. Esta razão talvez seja fruto do nosso próprio amadurecimento, a sensação de que tudo deu certo.  Ser o avô de Maíra é ser literalmente pai pela segunda vez. Para Maíra deixo o seguinte recado: Maíra, desde quando Milena anunciou a sua chegada que eu já imaginava a sua feição a sua alegria e conseguintemente a sua simpatia, dito e feito, nascestes parecendo sertaneja, forte e rígida. Desejo e acredito que você saberá ser humana, simples e decidida. Espero que o tempo permita ... gostaria de vê-la brincando e contando estorinhas .... Gostaria de recebê-la de férias na Paraíba e ouvir você afirmando: esse Brasil tem jeito estamos lutando pelo mundo mais justo e mais fraterno. Talvez falássemos até de poesia... muito embora você preferisse Mario Quintana.
 Abraços
José Tavares de Sousa   

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Sax divinal de Nedota

O Sax divinal de Nedota
Crônica do escritor e poeta Wergniaud Breckenfeld Alexandre
  
O semblante de nossa São João amanheceu mais escuro, triste e silencioso  sem ouvir os doces acordes de um Sax que fazia parte do cotidiano de nossa história. Morreu seu dono Nedota, aquele que dominava com incomparável maestria este instrumento. Partiu o velho boêmio, que tantas alegrias proporcionaram nos sambas, forrós e carnavais, com seu bocal abençoado e a sensível inclinação musical para a arte dos sons e dos ritmos, ao lado dos seus companheiros Raimundo Levina, Nego Dela, Piapai e Edmilson Sanfoneiro. A mansidão, a humildade, a desambição, e o domínio que tinha sobre sete instrumentos, fizeram deste ser tão especial, um mensageiro da nostalgia que encantava seus ouvintes e admiradores.
Ele tinha a música dentro si. Era a presença de Deus manifestada através do instrumento. Uma valsa, um bolero, um choro, um frevo ou outro estilo musical, sem utilizar a partitura, continham arranjos que somente ele realizava de forma única e irretocável, tornando-se um fenômeno que orgulhava os melhores músicos de sua terra e região.
O maestro, compositor e arranjador Natinho, esta enciclopédia de abrangência excepcional, é testemunha do que o grande Nedota era capaz de realizar, de ouvido, em qualquer gênero musical.
Quantas noites insones não animaram nossos corações com seus sopros divinais contemplando o amanhecer, através das frestas das janelas do inesquecível navarrense clube, onde os foliões embevecidos ouviam seus frevos aguardando com tristeza a chegada da ingrata quarta-feira de cinzas.
Parte o homem, e fica o legado a ser seguido pelos amantes da boa música. Onde ele estiver à alegria estará presente enaltecendo os corações dos mal amados.
Ah! Meu velho e querido amigo, não se esqueça de transmitir um forte e afetuoso abraço ao seu colega saxofonista, o saudoso Renan de Doutor Alberto. Aproveite a paz e as belezas dos jardins que um dia Eva habitou, convidando Banjim para cantar PAIXÃO DE UM HOMEM de Waldick Soriano, e reserve uma meota na nuvem mais fria que você encontrar, que em breve nos encontraremos para relembrarmos com saudade, os dobrados tocados pela banda municipal nas retretas no velho coreto e nas alvoradas ensolaradas pelas ruas empoeiradas da antiga Antenor Navarro.
Nossos profundos sentimentos à sua família!      
Aplausos musicais para o inesquecível Mestre Nedota!
É o mínimo que ele merece!

Wergniaud Breckenfeld Alexandre
          João Pessoa, 14 de janeiro de 2014.
    


domingo, 24 de novembro de 2013

Nasci sem ter esperança







                       José Tavares de Sousa


I

 Eu nasci numa fianga

Que o punho era uma trança.

Depois comprei uma rede

De varandas que balança.

Hoje eu prefiro a fianga

Pra voltar a ser criança.

II

Nasci sem ter esperança

Numa pequena  casinha

De apenas um vão coberto

Com quarto, sala e cozinha.

E uma parede separando

Os lamentos  da vizinha.

domingo, 6 de outubro de 2013

Na Casa de Zé de Sousa


Na casa de Zé  de Sousa

                                     

                                                      Autor: José Tavares de Sousa


Bem antes de Eduardo Coutinho andar nos quatro cantos do sítio Araçás, município de São João do Rio do Peixe no estado da Paraíba, na busca de registrar a cultura de uma comunidade, autenticamente nordestina, ainda não prostituída pela influência da globalização, passaram outras expedições na tentativa de conseguir textos e músicas da região para geração de canções  e modas. Todo esse esforço, provavelmente, deva-se à peculiaridade da população araçazeira. 

A comunidade de Araçás não sabe e nunca ouviu falar que na China morre anualmente 10 milhões de pessoas,  três vezes a população de todo o Estado da Paraíba. Também não sabe que aquele país gastaria cerca de 4 milhões de metros cúbicos de madeira na construção de caixões para enterrar seus mortos e utilizaria 4 mil hectares de terra agricultável nessa operação. Não há recursos naturais suficientes para atender essa demanda, portanto, os Chineses, seguindo a tradição do passado budista imperial, devem resolver essa problemática realizando a cremação dos seus mortos.

A comunidade de Araçás não tem essa informação supracitada, sabe se comunicar solidariamente, trabalhar, rezar, participar de um forró e ouvir uma cantoria de pé -de- parede.

Nos domingos e feriados, a população resgatada pelo documentário “O fim e o princípio” não se dirige ao Shopping para fazer compras e assistir filmes, permanece na localidade passeando entre  as casa dos vizinhos, contando casos  e lorotas. Participando de cantorias com duplas de violeiros que sabem cantar as coisas peculiares da região. 

Não tem conhecimento de que 38%  de mais de um milhões de domicílios do estado da Paraíba são cadastrados nos programas do governo Federal, atendendo a 1 milhão e 200 mil pessoas,  mais de um terço da população estadual, vive com renda advinda de programas assistencialistas. Do ponto de vista econômico, a Paraíba  contribui com menos de 1%  do produto interno bruto nacional.

Mariquinha, a personagem do documentário “O fim e o princípio,”  expressa a sertaneja marcada pelo próprio destino de ser viúva, não ter gostado do período que viveu com seu marido e teve a infelicidade de viver distante do seu filho que mora no estado do Pará. Deixa claro que beber uma branquinha nos dias de feira, torna-se a melhor opção da sua vida.

Bom,  o mais importante é que o sítio Araçás era tradicional na prática de Novenas e Cantorias. No mês de maio todos os dias havia novena em “Doninha”. Mas, além de novena a cantoria de viola sempre foi preferida pela maioria da população araçazeira.

Abrindo a cantoria    

 No sitio Araçás escutei  as primeiras cantorias com contadores iniciantes e profissionais. Lá escutei pela primeira vez a  canção “Serenata da Montanha”do poeta rio-grandense  Elizeu Ventania.  Nascidos no sítio Baixio do Gila:  Mozim e Deozim dois rapazes, naquela época,   cantaram  fragorosamente a canção “Serenata da Montanha”

            Na casa de Zé de Sousa e de dona Corinta se escutava cantoria,  contavam-se casos,  bebia-se cachaça na “venda”  e ouvia-se Luiz Gonzaga  através de uma vitrola de cor preta, para o funcionamento  dessa utensilio, escasso naquela região, usava-se uma manivela  a qual era utilizada para dá  corda na vitrola.

Iniciando a cantoria os artistas populares sapecaram  as seguintes estrofes:


Cantador  1

 Hoje aqui nos Araçás

O dia  tem cor de lousa

A morte levou Corinta

Depois levou Zé de Sousa.

A morte é muito ingrata

Leva marido e esposa

Cantador  2, continuou  

Eu Sei que a morte ousa

Matar  quem a gente quer bem

Mas no dia que um doido,

Levar a morte também

Ai a morte saberá

O valor que a vida tem.
Autor: José Tavares de Sousa

sábado, 5 de outubro de 2013

Eu quero para meu sertão

 Não quero ver meu sertão

Autor: José Tavares de Sousa
Não quero ver meu sertão
Com criancinha buchuda
Descalça de pés no chão
De barriguinha graúda
Que nem come nem se veste
Que nem brinca e nem estuda.

Doutor, eu não quero ajuda
Eu quero pra meu sertão
Trabalho, escola, saúde
Higiene e habitação
E entregue aos trabalhadores
Os meios de produção.
                                               

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O jumento


 José Tavares de Sousa 


O Jumento é animal sagrado, vários poetas já disseram. Zé Clementino, Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga entre outros  cantaram e decantaram    estrofes  homenageando esse animal  de mil utilidades no sertão.

O Padre Antônio Batista Vieira nascido no  município de Várzea Alegre, Ceará, escreveu em 1964 o livro “O Jumento, nosso irmão” chegando a fundar o Clube Mundial do Jumento

A partir das últimas décadas do século XX esse Animal astucioso quase nordestino passou a perder espaço para tração mecanizada em todo o semiárido, atualmente a moto tem invadido o sertão e o jumento passou a ser esquecido. Mas, ele gigante pela própria  natureza é sempre  um animal feliz, mesmo abandonado pelo homem, ainda é lembrado pelos sertanejos.

I
Eu admiro o jumento
Com seu jeitão de andar
Animal astucioso
Na hora de relinchar
Diz as letras vogais
Sem mínguem  lhe perguntar.

II 

Mas quando vai namorar
Não é muito inteligente,
Corre veloz  e  armado
Derruba quem estar na frente
Mostrando a mercadoria

De forma inconveniente.

EU NASCI NUMA TIPOIA



sábado, 5 de janeiro de 2013

Maria de Jesus


Maria de Jesus
 José Tavares de sousa


Por que cedo pegaste a tua cruz,
Deixando-nos sem a tua companhia?
Será  que foi teu nome que dizia
Que tu eras a Maria de Jesus?


 Não,  santa Maria. Luz
Tu sempre tinhas  de sobra
Penso que Deus, fez manobra.
Para tê - la  junto de Jesus.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quero me alfabetizar


Quero me alfabetizar      

 Autor:Jose Tavares de Sousa

Eu, um caboclo da roça
nsascido no meio do mato

Criado como batata

Que não tem regra de fato

Qual jerimum de vazante

Pescoçudo e fundo chato

 

E eu nascido no mato

Tive uma infância opaca

Amansando burro brabo

Tirando leite de vaca

Bebendo o leite, mugido

Pra curar minha ressaca

 

Batendo grampo em estaca

De pé-de-bode no peito

Roçando o mato crescido

Jurema cortei no jeito

No cabo da roçadeira

Eu era o boca de eito

 

Mas é falta de respeito

Sem ter casa pra morar

E a carteira de trabalho

Ninguém mais quis assinar

E eu feito arigó do mato

Sem saber a quem cobrar

 

Quero me alfabetizar

De estudar eu careço

Por não conhecer as coisas

Tenho pago um caro preço

Igual um escravo branco

Sem saber quanto mereço

 

Doutor, sei que careço

Que a escola mostre outra face

E que diga ao povo humilde

Que o problema é de classe

Uns nascem já dominados

Pra dominar, outro nasce

 

 

Eu quero ver minha classe

Sem ter discriminação

Trabalho, escola, saúde

Higiene e habitação

E entregue aos trabalhadores

Os meios de produção

 

Não quero ver meu sertão

Com criancinha bochuda

Descalça, de pés no chão

De barriguinha graúda

Que nem como nem se veste

Nem trabalha e nem estuda

 

Doutor, eu não quero ajuda

Nem assistencialismo

A escola tem que sair

Do seu academicismo

Sem ministrar EPB

Moral e nem catecismo

 

Abaixo o academicismo

E deixe o povo pensar

A escola é para todos

A educação popular

Mostrem quem é explorado

E o que fazer pra mudar

 

A escola tem que ensinar

À criança escovar dente

O homem fazer política

Mulher ser independente

E não deixar a pobreza

Ser mais subserviente

 

Tem que ser mais competente

Mostrar o certo e o errado

Doutor me ensine a contar

Pra não ser mais enganado

Pelo patrão e patroa

Que pagam pouco e atrasado

 

 

Não quero ser enganado

Com medalha e com troféu

Dizendo que pobre é vítima

Falando que rico é réu

Que rico vai pro inferno

E pobre é que vai pro céu

 

Doutor guarde esse seu céu

Que nele eu não quero entrar

Analfabeto político

Quero me alfabetizar

E se não for desse jeito

Não vou me matricular

sábado, 15 de setembro de 2012

Quem não é e quer ser sem ser, não pensa

Quem não é e quer ser sem ser, não pensa
Pra saber que não é o que pensou”




Quem não lembra de Hitler na Alemanha
Que queria do mundo ser o dono.
Mussolini também queria um trono
Mas tiveram uma surpresa um tanto estranha.
Pois não houve sucesso na campanha
E a tática da guerra fracassou.
Nossa “FEB” que por la´ passou
Ainda hoje no mundo é quem tem crença.
“Quem não é e quer ser sem ser, não pensa
Pra saber que não é o que pensou”


domingo, 17 de junho de 2012

Recado à Minha Mãe




 Recado a minha mãe 
Autor: José Tavares de sousa 

Meu Deus, você veio sorrateiramente
Pegou a minha mãe e a levou consigo
Você não é meu Deus nem meu amigo,
Não posso acreditar n’ Deus que mata gente

Mas, como católico, apostólico e carente
De amor materno, afeto... bênção, eu digo
Cuide de minha mãe em seu último abrigo
Aqui eu fico, com a saudade, eternamente.

Lá na casa divina, abra a porta da sala
Pergunte por mamãe, diga que quer visitá-la!
Pegue na sua mão e ande pelo jardim

Converse com ela, fale silenciosamente
Diga que sou o meninão de antigamente
E pode me chamar, quando precisar de mim.

           Araçás, 13 de maio de 2012.

                    José Tavares de Sousa

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O tempo


O tempo além de ingrato
Ele é incompetente
Nunca se esquece da gente
Mas, poupa nosso retrato.

José Tavares de Sousa

BERADEIRO DOS ARAÇÁS

Autor: Nivaldo Amador de Sousa

Quanta saudade me dá
Do meu sertão tão querido,
Nunca será esquecido,
Meu pequenino Araçá!
Às margens do Rio do Peixe,
Peço licença, me deixe,
Meu singular baluarte,
Das estradas do sertão,
Beijar teu ventre, teu chão,
Que faz também recordar-te.

Você foi o meu cenário,
Decorado de emoções,
E também meu relicário
De saudosas gerações.
Nasci na tua ribeira,
Aparado por parteira;
Naturalmente a brincar,
Fiz da infância um bastão,
Como ave de arribação,
O êxodo me faz chorar.

Neste chão araçazeiro,
Fiquei até os vinte anos,
No orgulho de beiradeiro,
Fui recuperando os danos
E, a cada acontecimento,
Cresci sem ressentimento
Num torrão de massapé.
E num pequeno salão,
Mamãe tomava a lição
Desde a Carta de ABC.

Vi crescer minha esperança
Num caminho mais seguro
E meu sonho de criança
Se contemplar no futuro.
No berço da fazendola,
Da labuta pra escola,
Fiz do suor do trabalho
A minha digna função
E foi com educação
Que descobri o que valho.

A ti devo a consciência,
Araçás, terra querida!
Que me encantou com prudência
No matinal de minha vida,
Me fez crescer de verdade
E, do sítio pra cidade,
Você não fez empecilho,
Sonhando ter condição
De ver a reputação
Na glória de cada filho.

Em meio a cada conselho
De praciante ou matuto,
Você me deu como espelho
Outro mundo absoluto,
Cheio de cisma e poder.
E, para me proceder,
Hasteei minha bandeira
Como símbolo de união,
Sem escudo e sem brasão,
Porém com sal na moleira.

Antenor foi meu esteio.
Hoje, saudoso a contemplo,
Além de ser meu passeio,
Também me serviu de exemplo.
Do simples brio de quietude,
Ficou a lembrança rude
Num sentimento de infante;
Saudades do “parque” sinto
E do “Adelino Pinto”,
Dos meus tempos de estudante.

Oh! Quantas saudades minhas
Pois quero te ver feliz
Igualmente às andorinhas
Lá da Praça da Matriz.
Quero livre o pensamento,
Não quero ver sofrimento,
Nem meu povo retirante;
Quero livre, independente
E não subserviente
Do poderio dominante.

Quero lembrar afinal
Tudo quanto enamorei,
Meu pedacinho rural,
Eu nunca te esquecerei!
Das serestas e folias,
Caçadas e cantorias.
E festas de casamento,
Das debulhas de feijão
E o tum-tum-tum do pilão
Não sai do meu pensamento.

Range com dengo uma rede
Quando chega o pôr-do-sol
No buraco da parede,
Canta alegre o rouxinol;
Contemplo minha gaiola,
Escuto o som da viola
E do compadre uma prosa,
Me prendo por vocação
Com o “Forro-no-varandão”,
Deitado na preguiçosa.

São coisas do interior,
Que nunca saem da memória;
Meu castelo sonhador
Tem como torre esta glória
E sem esquecer meu barro,
Como um boi velho de carro.
Que na bebida se acalma,
Sinto a vara-de-ferrão
Fazer gemer o cocão
Das cordas bambas da alma.

Terei por fim o sossego
Ao voltar pra minha terra.
Se eu viver esse aconchego,
Essa saudade se encerra,
Mesmo assim um apelo faço
Que me reservem um pedaço
Do meu Araçá amado.
Quando eu morrer, no seu chão,
Quero a satisfação
De nele ser enterrado.

Nini de Zé de Sousa recitou na cantoria duas estrofes do poema: Ao meu Pai


Lembro-me de  você.
Autor: José Tavares de Sousa

Lembro-me de você, sinceramente
Com a  lata de leite que você trazia
Empurrando com ombro minha tipóia
E acordando-me na madrugada fria.
Mas, você meu  pai,  foi-se  embora 
E esqueceu-se de dizer  pra onde ia.

Eu fiquei  sem saber o seu destino
Remoendo tudo  o que se passou.
Hoje ando seguindo a seu caminho
Na estrada em que você andou
Desviando de pedras e de espinhos
Que também não sei pra onde vou.